O partido mergulhou numa crise interna com impacto negativo sobre a governação do país, demonstrando com os sucessivos adiamentos da reunião do conselho nacional que vive um mau momento interno. Marcada inicialmente para 8 de novembro, a reunião passou para 15 e só foi realizada no dia 16, tendo a marcação do congresso para eleição de uma nova direcção saído da agenda. Patrice Trovoada, ausente do país desde janeiro de 2025, liderou a reunião por videoconferência, tendo se registado altercações tensas entre o presidente da ADI e alguns membros da direcção, nomeadamente o vice presidente Orlando da Mata. Apesar da distância física, Patrice Trovoada viu renovada a confiança dos militantes do partido para continuar a pilotar a maior força política do país.
O secretário geral Elísio Teixeira declarou que o congresso indicativo de 4 de abril do próximo ano analisará diversas situações, mas acima de tudo será para definir o candidato às eleições presidenciais e a estratégia para as eleições de 2026. O dirigente defendeu ainda que poderá haver necessidade de organizar outro congresso para eleição dos órgãos do partido após o congresso de abril. Américo Ramos assumiu publicamente ser candidato à liderança da ADI, fazendo o com sentido de responsabilidade, espírito de serviço e com a firme convicção de que o partido deve estar unido, forte e preparado para os grandes desafios que o país atravessa. Segundo o primeiro ministro, depois de mais de 17 anos, a ADI tem desta vez mais de uma candidatura declarada à liderança do partido e poderão surgir mais candidatos.
Vários juristas defendem que Patrice Trovoada não preenche os requisitos legais para ser admitido como candidato presidencial, uma vez que a Constituição define que só pode ser eleito presidente o cidadão que nos três anos imediatamente anteriores à candidatura tenha residência permanente no território nacional. Américo Ramos foi ministro das Finanças, secretário geral da ADI, Governador do Banco Central e foi escolhido pelo Presidente Carlos Vila Nova para chefiar o Governo, contra a indicação da direcção da ADI, após a demissão do executivo liderado por Patrice Trovoada. Patrice Trovoada não disse se continua ou não como presidente no próximo congresso, mas segundo o secretário geral talvez tenha outras opções. Américo Ramos afirma que a ADI atravessa um dos períodos mais conturbados da sua história recente, criticando que o partido tem funcionado à moda do chefe, inclusive o Conselho Nacional de novembro foi conduzido dessa forma sem ser precedido por uma comissão política estatutária.
Américo Ramos referiu que o Conselho Nacional foi um marco que permitiu, pela primeira vez, que todos pudessem expressar livremente a sua opinião e apelou à unidade. Para o primeiro ministro, a existência de múltiplas candidaturas demonstra que o partido está a despertar, a valorizar a diversidade de ideias e opiniões e a fortalecer os seus mecanismos internos. Até ao congresso de 4 de abril, Patrice Trovoada vai agir para conseguir uma coesão plena no seio da ADI. O candidato Américo Ramos reafirma que a sua candidatura pretende repor o funcionamento democrático no interior da ADI.
As eleições gerais de 2026 decorrem numa altura em que os dois maiores partidos do arquipélago vivem momentos de divisão interna, e o actual chefe de Estado, Carlos Vila Nova, ainda não assumiu se vai recandidatar se. O Presidente da República decidiu marcar as eleições presidenciais para 19 de julho de 2026 e as legislativas, regional e autárquicas para 27 de setembro de 2026. As eleições ainda não têm data marcada definitiva mas deverão acontecer no segundo semestre, quando continua por aprovar um novo código eleitoral que deverá aplicar o recenseamento eleitoral automático. Embora os partidos ainda não tenham apresentado formalmente os seus candidatos para 2026, espera se que Vila Nova procure um segundo mandato presidencial.