A crise interna na ADI intensificou se com a disputa sobre a realização do congresso eletivo, inicialmente marcado para 4 de abril de 2026, mas que acabou por não se realizar. O partido atravessa um período de tensão desde a demissão do Governo de maioria absoluta liderado por Patrice Trovoada em janeiro deste ano. A direção do partido, ainda sob a presidência de Trovoada, pretendia adiar novamente o congresso através de um Conselho Nacional extraordinário.
De acordo com o secretário geral da ADI, Elísio Teixeira, a direção partidária acatou a decisão judicial por serem pessoas responsáveis, tendo cancelado a reunião. O Tribunal Constitucional declarou a nulidade da alteração da composição do Conselho Nacional, considerando que não foram observados os preceitos legais e estatutários do partido. A decisão judicial teve como base alegações de que a lista de membros do Conselho Nacional havia sido alterada unilateralmente pela direção atual.
Américo Ramos, que reafirmou publicamente a sua candidatura à liderança da ADI, denunciou exclusões de membros que apoiavam candidatos alternativos e inclusões de novos elementos favoráveis à direção atual. O atual Primeiro Ministro argumenta que a sua candidatura visa repor o funcionamento democrático no interior do partido, destacando que pela primeira vez em mais de 17 anos existem múltiplas candidaturas à liderança partidária. A situação criou um impasse que poderá prolongar se, com consequências diretas na governação do país.
A suspensão do congresso representa um momento crítico para a maior força política de São Tomé e Príncipe, que domina todos os órgãos de poder no arquipélago. Analistas políticos sublinham que a instabilidade interna da ADI pode comprometer a capacidade de governação e afetar a implementação de políticas públicas essenciais. O partido enfrenta agora o desafio de encontrar uma solução que permita realizar o congresso de forma transparente e democrática.
Para os cidadãos são tomenses, esta crise partidária surge num momento em que o país enfrenta desafios económicos significativos, incluindo problemas no sector energético e negociações com o Fundo Monetário Internacional. A resolução do impasse na ADI é considerada fundamental para assegurar estabilidade governamental e continuidade nas políticas de desenvolvimento. A população aguarda agora que as instituições democráticas do país consigam mediar esta disputa interna de forma a preservar a governabilidade.