Política

MLSTP admite não apresentar candidato às presidenciais face a divisões internas

O MLSTP PSD poderá não apresentar nenhum candidato às próximas eleições presidenciais de 19 de julho, admitiu o líder do maior partido da oposição, Américo Barros, no balanço da reunião do conselho nacional do partido. Segundo o dirigente, não houve manifestação de interesse por parte de nenhum dos militantes do partido relativamente às eleições presidenciais, sublinhando que o maior foco do MLSTP tem a ver com as legislativas marcadas para 27 de setembro. Fontes do partido indicaram que, caso não apresente candidatura às presidenciais, os votos dos sociais democratas poderão ser orientados em apoio a uma eventual recandidatura do actual Presidente Carlos Vila Nova.

RL
Redação Leve Leve
📅 06 de Abril de 2026 ⏱ 5 min de leitura

O MLSTP alterou as regras de candidatura à liderança do partido e as normas do novo estatuto, aprovado no último congresso, também mudaram as regras de apoio aos candidatos às eleições presidenciais. O presidente do partido explicou que no período eleitoral surgem cinco, seis ou até dez candidatos do MLSTP nas presidenciais, o que prejudica o partido, pelo que incluíram um artigo no novo estatuto que exige que quem quiser ser candidato passe pelas primárias, tendo o MLSTP apenas um único candidato apoiado pelo partido após esse processo. As regras para a liderança do próprio partido também foram alteradas, tendo sido decidido que os candidatos à liderança devem passar pelos distritos e se obtiverem maioria absoluta serão os únicos candidatos ao congresso. A direcção do maior partido da oposição tem sido contestada por um grupo de dirigentes e militantes, incluindo ex presidentes e candidatos derrotados nas últimas eleições internas.

A actualização da base de dados está em curso e o partido abre portas para novos militantes, com os olhos voltados para as eleições gerais de 2026, tendo o líder apelado à unidade para serem o poder em 2026. O novo estatuto do MLSTP, actualizado no último congresso, trouxe mudanças para o melhor funcionamento e organização do partido, reunindo se os sociais democratas em Cantagalo para a reunião do conselho distrital, exercício que levará o partido a todos os distritos e à região autónoma do Príncipe. Há menos de duas semanas, apesar de estar na oposição, o MLSTP PSD contribuiu para a rejeição parlamentar de uma moção de censura, garantindo a continuidade do actual governo da ADI liderado por Américo Ramos. Os partidos da oposição são tomense garantiram a aprovação do Orçamento do Estado na generalidade, dada a falta de suporte do partido maioritário, com 18 votos do MLSTP e dois do Movimento Basta.

O deputado Wuando Castro sublinhou que continuam a ser um partido de oposição e que não entendam a votação favorável como sendo um cheque em branco ao governo. O Movimento Basta manifestou posição idêntica, com Levy Nazaré a sublinhar que o país está mal e com muitas dificuldades, mas todos são chamados a unir se para debelar a situação evitando agudizar a crise política a poucos meses das eleições. A coligação MCI PS/PUN justificou o voto favorável pela coerência com o voto em orçamentos anteriores, declarando ser um partido com responsabilidade que não quer travar o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe. A maioria de deputados da ADI não estava na sala no momento da votação e dois abstiveram se, sendo que a crise no parlamento começou a 27 de janeiro após discussões acesas entre parlamentares pró e contra uma moção de censura ao Governo.

O presidente do Movimento Basta, Levy Nazaré, com dois eleitos no parlamento, já se afirmou como candidato do partido a primeiro ministro, assumindo se como alternativa à governação e declarando que vão partir para a pré campanha com a ambição de chegar ao Governo. A coligação MCI PS/PUN, liderada por Domingos Monteiro e com cinco deputados, tem se desdobrado em acções no sentido de concorrer ao nível nacional, contrariamente às últimas eleições em que concorreu apenas nos distritos de Caué, Lembá e na Região Autónoma do Príncipe. A ADI e o MLSTP PSD têm sido historicamente os dois principais partidos que dominaram as eleições em São Tomé e Príncipe, havendo múltiplas transições de poder entre os partidos e tendo, por vezes, coabitado com o presidente representado por um partido e o primeiro ministro do outro. As eleições de 2026 serão uma oportunidade para São Tomé e Príncipe reafirmar as suas credenciais democráticas e reputação de estabilidade.

Patrice Trovoada saiu de São Tomé e Príncipe em janeiro quando foi demitido da chefia do Governo e nunca mais regressou, tendo admitido que o partido viveu momentos de divisão interna que ameaçavam a sua existência, enquanto o partido ADI vai a congresso para escolher candidato às presidenciais entre o actual primeiro ministro Américo Ramos e o vice presidente da Assembleia Nacional Abnildo de Oliveira. A coligação MCI PS/PUN tem se desdobrado em acções no sentido de concorrer ao nível nacional, contrariamente às últimas eleições em que concorreu apenas em alguns distritos. Uma questão fundamental para as eleições de 2026 será demonstrar que a violência registada em 2022 numa tentativa de golpe foi uma aberração isolada e não uma característica permanente da política nacional. Apesar de um histórico de eleições sólidas, os anos recentes trouxeram perturbações políticas, de segurança e geoestratégicas no pequeno arquipélago.

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