A votação decorreu numa sessão convocada por 28 deputados do MLSTP, do Movimento Basta e alguns deputados da ADI dissidentes, que anteriormente destituíram a presidente do parlamento Celmira Sacramento. Apenas nove deputados da ADI, que detém maioria absoluta de 30 lugares na Assembleia Nacional, votaram a favor do orçamento, enquanto a maioria dos seus colegas de bancada se ausentou. Dois deputados da ADI, incluindo a ex presidente do parlamento, optaram pela abstenção, sinalizando o profundo descontentamento dentro do partido face à actual situação política.
O Primeiro Ministro Américo Ramos expressou gratidão aos partidos pela aprovação dos documentos, defendendo que o Orçamento do Estado e as Grandes Opções do Plano visam a melhoria das condições da população. O chefe do Governo sublinhou que o orçamento, inferior aos 265 milhões de euros orçamentados para 2025, aposta no reforço da arrecadação interna sem aumentos cegos de impostos. Américo Ramos assegurou que a cesta básica continua protegida com isenções fiscais e que os pequenos contribuintes permanecerão protegidos, devendo pagar mais apenas quem tiver maior capacidade contributiva.
O líder parlamentar do MCI PS/PUN, Beatriz Azevedo, justificou o voto favorável da sua coligação pela responsabilidade partidária, afirmando que não querem travar o desenvolvimento nacional. O porta voz do MLSTP explicou que o partido decidiu aprovar o orçamento devido ao contexto político, social e económico complicado que o país atravessa, exigindo maior responsabilidade e espírito patriótico. O Movimento Basta seguiu posição idêntica, com Levy Nazaré a sublinhar que, apesar das dificuldades, todos devem unir se para evitar agudizar a crise política a poucos meses das eleições previstas para 2026.
Esta aprovação orçamental surge num momento particularmente delicado da vida política são tomense, com eleições presidenciais marcadas para Julho e legislativas para Setembro de 2026. A fragmentação da ADI e as tensões no seio do partido maioritário podem ter consequências significativas na estabilidade governativa e na capacidade de implementação das políticas públicas. Para a população, a aprovação do orçamento garante a continuidade dos serviços públicos essenciais, mas a instabilidade política poderá condicionar a eficácia das medidas previstas para melhorar as condições de vida dos cidadãos são tomenses.