A decisão de Elsa Pinto surge numa altura em que o maior partido da oposição enfrenta dificuldades em encontrar um candidato presidencial. O líder do MLSTP PSD, Américo Barros, admitiu no balanço da reunião do conselho nacional do partido que o MLSTP PSD poderá não apresentar nenhum candidato às próximas eleições presidenciais de 19 de julho. “Não houve manifestação de interesse por parte de nenhum dos militantes do partido relativamente às eleições presidenciais”, disse Américo Barros, sublinhando que “o maior foco do MLSTP tem a ver com as legislativas” marcadas para 27 de setembro. A antiga ministra da Justiça e da Defesa lamenta que o partido não tenha realizado eleições primárias e aguarda que a Comissão Política clarifique, em tempo útil, a posição sobre quem apoiar na corrida presidencial. “Tenho a experiência e a coragem de sentar me à mesa com os camaradas para construir a solução que o MLSTP precisa: apresentar um candidato às presidenciais”, sublinhou.
Na apresentação da pré candidatura às presidenciais de julho, Elsa Pinto afirmou ter “uma vontade profunda de contribuir” e lembrou que já teve as pastas da administração pública, assuntos parlamentares, defesa, justiça e negócios estrangeiros. A candidata explicou que está disponível “para melhorar as condições de vida das pessoas” e defende que o partido deve reunir os órgãos de direção e definir quem vai apoiar. Com a experiência de duas candidaturas anteriores, assegura que não voltará a avançar sem o respaldo político do MLSTP. “Não serei candidata independente. Serei candidata do MLSTP se o partido assim o decidir. Caso contrário, obedecerei às decisões da minha força política.” Jurista de profissão, Elsa Pinto defende ainda que a eleição de uma mulher para a Presidência da República poderia representar um novo impulso para o país e contribuir para mudar o rumo de São Tomé e Príncipe.
A pré candidatura surge num contexto em que a direção do maior partido da oposição, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), tem sido contestada por um grupo de dirigentes e militantes do partido, incluindo ex presidentes e candidatos derrotados nas últimas eleições internas. As normas do novo estatuto, aprovado no último congresso, mudaram as regras de apoio aos candidatos às eleições presidenciais. “Incluímos um artigo no novo estatuto que exige que quem quiser ser candidato passe pelas primárias. Após as primárias, o MLSTP terá apenas um único candidato apoiado pelo partido”, disse Américo Barros, Presidente do partido. Elsa Pinto é a segunda pessoa a manifestar intenção de se candidatar à Presidência de São Tomé e Príncipe, depois de o advogado Miques João ter lançado a candidatura, baseada no combate à corrupção, perseguição, ódio e cedência da Justiça “ao capricho da política e da delinquência”.
A movimentação política antecede um ano eleitoral decisivo, uma vez que São Tomé e Príncipe realiza eleições gerais em 2026, numa altura em que os dois maiores partidos do arquipélago vivem momentos de divisão interna, e o atual chefe de Estado, Carlos Vila Nova, ainda não assumiu se vai recandidatar se. Até ao momento, ninguém se posicionou como candidato às eleições presidenciais, mas têm sido apontados como potenciais concorrentes o atual chefe de Estado, Carlos Vila Nova, o ex presidente da Assembleia Nacional Delfim Neves e o ex primeiro ministro Patrice Trovoada. A definição da estratégia eleitoral do MLSTP torna se assim crucial para o equilíbrio político do país, especialmente tendo em conta o papel histórico do partido como principal força de oposição ao atual governo da ADI.