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São Tomé e Príncipe lança repositório científico nacional integrado na rede da CPLP

São Tomé e Príncipe lançou oficialmente o seu Repositório Científico Nacional no passado dia 25 de março, numa cerimónia virtual transmitida a partir da sede da CPLP em Lisboa. A iniciativa marca o 30.º aniversário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e representa um avanço significativo na digitalização e divulgação da produção académica santomense. O repositório integra se no Repositório Comum da CPLP, que já agrega mais de dois milhões e meio de documentos científicos dos países lusófonos.

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Redação Leve Leve
📅 17 de Abril de 2026 ⏱ 4 min de leitura

O novo sistema permite que a investigação científica de São Tomé e Príncipe, anteriormente confinada a arquivos físicos das instituições de ensino, ganhe visibilidade internacional através de uma plataforma digital de acesso aberto. A diretora do Instituto de Inovação e Conhecimento, Dalila Rita, sublinhou que a plataforma possibilita “o consumo de documentos de todos os países que têm a língua portuguesa em comum” e representa “uma ferramenta aberta de conhecimento”. O repositório conta inicialmente com duas instituições participantes, a Universidade de São Tomé e Príncipe e o Instituto Superior Politécnico de São Tomé e Príncipe. A medida surge numa altura em que o ensino superior santomense integra cerca de três mil estudantes que, juntamente com professores e investigadores, têm produzido diversos documentos científicos de reconhecido valor académico.

O diretor do Ensino Superior e Ciência de São Tomé e Príncipe, Ilvécio Ramos, declarou que este é um “momento de elevado significado para o Ensino Superior, para a Ciência e para a valorização do conhecimento de São Tomé e Príncipe no espaço da CPLP”. Para Ramos, a iniciativa representa “a afirmação de uma visão, de uma escolha estratégica e de um compromisso com o futuro”. A cerimónia de lançamento foi acompanhada por um painel sobre “Caminhos e desafios para a gestão da Ciência Aberta no Espaço CPLP”, onde representantes de diferentes países lusófonos abordaram as limitações, resultados e barreiras dos seus repositórios científicos. A Secretaria Executiva da CPLP promoveu o evento como parte das comemorações dos 30 anos da organização, consolidando o compromisso com o acesso aberto ao conhecimento científico.

O Repositório Comum da CPLP, que está operacional desde 2021, conta com a parceria da Fundação para a Ciência e Tecnologia, da Universidade do Minho e do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. A plataforma permite aumentar a visibilidade internacional da investigação produzida no espaço lusófono e facilita a preservação e disseminação da produção científica dos Estados membros num espaço digital partilhado. Antes deste projeto, todos os documentos científicos de São Tomé e Príncipe eram armazenados exclusivamente no repositório comum, que serve de apoio aos Estados membros que ainda não dispõem de repositório próprio. O RCAAP, Repositórios Científico de Acesso Aberto de Portugal, associou se à iniciativa, reforçando o compromisso com a promoção do acesso aberto e o desenvolvimento de infraestruturas que potenciem a partilha de conhecimento à escala internacional.

Esta infraestrutura digital representa um passo importante na consolidação de sistemas nacionais de informação científica em São Tomé e Príncipe, contribuindo para o desenvolvimento científico e académico do país. A iniciativa permitirá às instituições de ensino, sociedade civil e laboratórios de investigação santomenses aceder facilmente ao conhecimento produzido, facilitando a colaboração e o intercâmbio científico no espaço lusófono. A medida surge num contexto em que a CPLP, constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, celebra três décadas de cooperação e fortalecimento dos laços entre os países de língua portuguesa. O repositório científico representa assim uma das principais conquistas no domínio da cooperação científica e tecnológica entre os Estados membros da organização lusófona.

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