A Reserva da Biosfera da Ilha de São Tomé cobre quase 1.130 quilómetros quadrados de picos vulcânicos, florestas tropicais e paisagens agrícolas férteis. As zonas de protecção marinha incluem ilhéus como o das Cabras, o de Santana e o das Rolas, que abrigam recifes de coral, colónias de aves marinhas e praias de nidificação de tartarugas. Cerca de 130.000 habitantes estão envolvidos em actividades profundamente ligadas à terra e ao mar, com o ecoturismo oferecendo oportunidades de crescimento e o cacau orgânico de renome mundial de São Tomé constituindo um símbolo do legado agrícola e do conhecimento transmitido através das gerações. A Reserva da Biosfera da Ilha de São Tomé protege um património natural e cultural insubstituível através da participação da comunidade, uso sustentável da terra e conservação.
O programa O Homem e a Biosfera da UNESCO está a passar por uma expansão sem precedentes desde 2018, com 142 novas reservas da biosfera representando mais de um milhão de quilómetros quadrados adicionais de áreas naturais protegidas. Hoje, as 785 reservas em 142 países cobrem 8 milhões de quilómetros quadrados e beneficiam directamente cerca de 300 milhões de pessoas que nelas vivem. Audrey Azoulay, directora geral da UNESCO, disse esperar que, até 2030, cada Estado membro tenha pelo menos uma reserva, como prevê o plano de acção para a próxima década. O plano inclui ainda a conservação e restauro de pelo menos 30% dos ecossistemas degradados até 2035 e a redução da pressão humana sobre a biodiversidade.
Este reconhecimento internacional reforça a importância global do arquipélago e lança um desafio: transformar este estatuto em acções concretas para proteger, conservar e desenvolver o território de forma sustentável. Para organizações como a Oikos, este reconhecimento cria uma responsabilidade acrescida de proteger, conservar e desenvolver de forma sustentável um território que, a partir de agora, é considerado como sendo uma área importante para o planeta. O Camões, através do Fundo Especial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, apoiou a criação da Rede de Reservas da Biosfera CPLP, cujo objectivo é promover o uso sustentável e a conservação da diversidade biológica. A decisão da UNESCO veio reforçar a Rede de Reservas da Biosfera da CPLP, ampliando o compromisso com a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento económico e social nos territórios de língua portuguesa.
O primeiro ministro Américo Ramos destacou que 2025 ficará assinalado por duas conquistas de grande relevância para os investidores: a consagração de São Tomé e Príncipe como Reserva Mundial da Biosfera e o reconhecimento do Tchiloli como Património Cultural. As Reservas da Biosfera não existem apenas para preservar valores já existentes, tendo também a missão de criar novos valores, demonstrando como as pessoas podem viver de forma sustentável e em harmonia com a natureza. Esta classificação inédita de ter 100% do território como Reserva Mundial da Biosfera posiciona São Tomé e Príncipe como um destino de investimento confiável e estável. O estatuto histórico reforça o potencial do arquipélago para projectos de desenvolvimento sustentável e turismo responsável, constituindo um factor diferenciador único no contexto internacional.