Política

Número recorde de candidatos prepara se para eleições presidenciais de julho

São mais de uma dezena de candidatos que têm intenção em disputar as próximas eleições presidenciais previstas para julho deste ano. É pela primeira vez na história das eleições em São Tomé e Príncipe que se regista um número elevado de candidatos às presidenciais. O Presidente da República Carlos Vila Nova fixou o dia 19 de julho de 2026 para a realização da eleição para Presidente da República. Os candidatos terão que passar por um processo de crivo do Tribunal Constitucional que os legitimará como candidato oficial às presidenciais.

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Redação Leve Leve
📅 30 de Março de 2026 ⏱ 4 min de leitura

A lista integra ex primeiros ministros, antigos líderes partidários, ex ministros e membros da sociedade civil, refletindo uma diversidade de perfis nunca antes vista numa corrida presidencial são tomense. Até ao momento, ninguém se posicionou como candidato às eleições presidenciais, mas têm sido apontados como potenciais concorrentes o atual chefe de Estado, Carlos Vila Nova, o ex presidente da Assembleia Nacional Delfim Neves e o ex primeiro ministro Patrice Trovoada. O partido ADI vai a congresso em abril para escolher o candidato único a ser apoiado pelo partido nas eleições presidenciais e também o novo presidente do partido, que para já são candidatos o atual primeiro ministro Américo Ramos, aliado do atual presidente da República, e o vice presidente da Assembleia Nacional, Abnildo de Oliveira, aliado de Patrice Trovoada. O ambiente político caracteriza se por uma intensa movimentação de potenciais candidatos que procuram consolidar os seus apoios junto das estruturas partidárias e da sociedade civil.

O interesse na óptica de alguns analistas, reside em motivações financeiras e na afirmação política e de cidadania, visando alterar o actual paradigma político do país. Por outro lado, a direção do maior partido da oposição, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), tem sido contestada por um grupo de dirigentes e militantes do partido, incluindo ex presidentes e candidatos derrotados nas últimas eleições internas. “Qualquer partido que esteja desorganizado e desunido não consegue atingir os seus objetivos. E nós estamos preocupados, pois o tempo está a passar, e é urgente que nos organizemos rapidamente para vencer”. A fragmentação interna dos principais partidos políticos está a criar oportunidades para candidatos independentes e de movimentos emergentes que procuram capitalizar o descontentamento com o sistema político tradicional.

O presidente do Movimento Basta, Levy Nazaré, com dois eleitos no parlamento, já se afirmou como candidato do partido a primeiro ministro, assumindo se como alternativa à governação. “Nós vamos partir para a pré campanha no próximo ano com a ambição de chegar ao Governo e materializar a proposta que vamos apresentar ao país”. A coligação Movimento de Cidadãos Independentes Partido Socialista/Partido de Unidade Nacional (MCI PS/PUN), liderado por Domingos Monteiro, com cinco deputados, tem se desdobrado em ações no sentido de concorrer ao nível nacional. A comissão eleitoral está a trabalhar em velocidade cruzeiro para concluir a elaboração dos cadernos eleitorais no território nacional e nalguns círculos da diáspora. Os preparativos técnicos para as eleições encontram se em fase avançada, com as autoridades eleitorais a ultimarem os procedimentos para garantir um processo transparente e inclusivo.

A proliferação de candidaturas presidenciais reflete uma mudança significativa no panorama político são tomense, com a emergência de novas lideranças e a crescente participação cívica. O Presidente de São Tomé e Príncipe é eleito usando o sistema de duas voltas para um mandato de cinco anos, o que poderá levar a uma segunda volta caso nenhum candidato obtenha maioria absoluta na primeira volta. As eleições presidenciais de julho de 2026 prometem ser as mais concorridas da história democrática do país, numa altura em que os são tomenses procuram novas soluções para os desafios económicos e sociais que o arquipélago enfrenta. A dinâmica eleitoral deste ano poderá redefinir o futuro político de São Tomé e Príncipe para os próximos cinco anos.

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