Economia

São Tomé acelera capacitação em turismo com formação especializada apoiada pela ONU

Num pequeno Estado insular em desenvolvimento, como São Tomé e Príncipe, o turismo afirma se como um pilar essencial para o desenvolvimento sustentável, sendo fonte de emprego, de rendimento, de divisas e de oportunidades de investimento, segundo Emílio Lima, em representação da tutela do sector. Em 2025, foram validadas pela primeira vez as Contas Satélite do Turismo, referentes ao ano de 2024, que demonstraram que este setor representa 11% do Produto Interno Bruto nacional. Para consolidar esta ferramenta moderna de planeamento e avaliação, quadros nacionais estão a ser capacitados em técnicas de investigação específicas para o turismo.

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Redação Leve Leve
📅 31 de Março de 2026 ⏱ 3 min de leitura

Passamos a dispor de dados concretos sobre quanto os visitantes gastam, como a economia responde a essa procura e quanto valor acrescentado e emprego o turismo efetivamente gera, destacou Emílio Lima. A iniciativa de capacitação surge numa altura em que o país registou crescimento significativo no número de visitantes. Segundo dados revelados da Direção do Turismo e Hotelaria de São Tomé e Príncipe, o país registou 35.817 visitantes em 2023, com portugueses a liderar com 46% dos visitantes, seguido de Alemanha com 2.408 (7%), Estados Unidos da América com 2.328 (7%), França com 1.896 (5%), Angola com 1.298 (4%). O recorde anterior era de 2019 que atingiu 35.000 visitantes, mas o número baixou em 2020 até 10 mil turistas devido aos efeitos da pandemia.

Trata se de um passo decisivo para dotar São Tomé e Príncipe de um sistema estatístico turístico robusto, capaz de apoiar o planeamento estratégico, atrair investimentos e acompanhar o país na valorização sustentável do seu património, afirmou Laura Ngonegni, especialista em estatística da Comissão Económica das Nações Unidas para a África Central. Vemos que o turismo está na agenda de prioridades do país e, para planificar e dar o devido valor a este sector e atrair investimentos, precisamos de dados estatísticos. É esse exercício que as Contas Satélite têm realizado ao longo dos últimos dois anos, destacou Osmar Ferro, economista do Escritório do Coordenador Residente da ONU em São Tomé e Príncipe. A formação de quatro dias é conduzida por especialistas da Comissão Económica das Nações Unidas para a África Central, em estreita coordenação com o Escritório do Coordenador Residente da ONU no arquipélago.

A medição do impacto económico do turismo torna se fundamental numa altura em que o sector enfrenta desafios estruturais. As principais fragilidades identificadas incluem a reduzida oferta de ligações áreas diretas a destinos estratégicos e preço elevado das passagens aéreas, elevada dependência turística do mercado português, infraestrutura turística ainda pouco desenvolvida e reduzida oferta de recursos humanos qualificados em turismo. O Governo de São Tomé e Príncipe quer que o país atinja a marca de 50 mil turistas até 2025, o que pode equivaler a duplicar o impacto do turismo no PIB do país. A abertura da primeira Escola Profissional de Hotelaria e Turismo no país representa um marco importante neste contexto.

As perspectivas para o desenvolvimento sustentável do turismo em São Tomé e Príncipe são promissoras, considerando o potencial do arquipélago. São Tomé e Príncipe centra se no turismo ecológico e de lazer, beneficiando da riqueza em biodiversidade e ecossistemas únicos, incluindo praias, florestas tropicais, montanhas e fauna e flora exóticas, preservação dos recursos naturais e da biodiversidade. O sector do turismo em São Tomé e Príncipe tem um grande potencial e é de esperar que traga benefícios consideráveis e numerosas oportunidades de investimento para o país e a sua população. A capacitação técnica dos quadros nacionais constitui um investimento estratégico para maximizar estes benefícios e assegurar um crescimento turístico sustentável que beneficie toda a população santomense.

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