Economia

Petrobras adquire 75% do bloco 3 offshore de São Tomé e Príncipe por estratégia africana

A Petrobras anunciou a aquisição de 75% de participação no bloco 3 offshore de São Tomé e Príncipe da empresa Oranto Petroleum Limited, assumindo também a operação do projeto exploratório. A transação integra o Plano de Negócios 2026 2030 da companhia brasileira, que estabelece como prioridade a recomposição das reservas de petróleo e gás através da intensificação das atividades exploratórias. Com a conclusão da operação, o consórcio passará a ser composto pela Petrobras como operadora com 75%, Oranto com 15% e a Agência Nacional do Petróleo de São Tomé e Príncipe com 10%.

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Redação Leve Leve
📅 18 de Abril de 2026 ⏱ 4 min de leitura

Desde 2024, a Petrobras vem retomando sua atuação no continente africano, região considerada estratégica para a exploração de hidrocarbonetos, especialmente em áreas offshore com potencial ainda pouco explorado. A entrada no bloco 3 se soma a outras iniciativas recentes da companhia na região, consolidando um movimento de reposicionamento internacional alinhado às melhores práticas globais do setor de óleo e gás. Ao todo, são 19 blocos mapeados, cobrindo toda a Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe, que possui uma área de 125 mil km². O novo plano de negócios da estatal prevê US$ 1,3 bilhão em exploração internacional até 2028. Esta aquisição marca a quarta concessão da Petrobras nos territórios offshore de São Tomé e Príncipe, reforçando o foco estratégico da empresa em activos em águas profundas na África Ocidental.

A Petrobras declarou que “a operação reforça a atividade exploratória no continente africano, com o propósito de diversificação de portfólio e está alinhada à estratégia de longo prazo da companhia, visando à recomposição das reservas de petróleo e gás por meio de exploração de novas fronteiras e atuação em parceria”. A companhia confirmou que “a aquisição do bloco em São Tomé e Príncipe observou todos os trâmites internos de governança da companhia, estando em linha com o Plano de Negócios 2026 2030. A conclusão da transação está condicionada ao cumprimento de condições precedentes, incluindo aprovações governamentais e regulatórias aplicáveis de São Tomé Príncipe”. A estratégia busca equilibrar o portfólio entre ativos maduros e novas fronteiras exploratórias, reduzindo riscos e ampliando oportunidades de descoberta de reservas relevantes. Desde 2024, a Petrobras retomou sua atuação no continente africano e já possui participação em blocos em São Tomé e Príncipe.

A movimentação petrolífera no arquipélago tem registado desenvolvimentos significativos com múltiplas empresas internacionais. A Shell iniciou uma campanha de perfuração do bloco 10 da Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe com trabalhos no poço de exploração em águas profundas Falcão 1, em curso desde 15 de outubro com o navio Stena DrillMAX. As operações de prospeção da Shell no bloco 10 deverão ser concluídas “entre meados e finais de dezembro”, com os resultados a serem conhecidos no primeiro trimestre de 2026. “De acordo com a lei, o consórcio formado pela Shell, Petrobras e ANP têm 45 dias após o término do trabalho para anunciar o resultado”. Contudo, resultados recentes têm se revelado menos animadores, com Andrew Hepburn, gerente da Shell para São Tomé e Príncipe, a declarar que “em 2022 ficou comprovada a existência de sistema petrolífero, mas neste furo não se encontrou nada que confirmasse essa expectativa”, apelando à paciência da população.

As dúvidas em torno da viabilidade económica da atividade têm frustrado as expectativas de transformação da economia são tomense por via do setor petrolífero, com um responsável da ANP a apontar para um intervalo de 80 a 130 milhões de dólares para um furo na zona. As expectativas de produção de petróleo por São Tomé e Príncipe, altamente dependente de combustíveis minerais do exterior, continuam a marcar o debate público. Nos 160 mil quilómetros quadrados da ZEE são tomense, cuja dimensão perfaz cerca de 160 vezes a superfície terrestre do país insular, operam várias multinacionais, entre as quais Shell.

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