Este é já o segundo bloco perfurado na zona económica exclusiva do país sem resultados comerciais satisfatórios. O primeiro, o bloco 6 denominado Jaca, foi explorado em 2022 pelo consórcio Galp Shell, onde se identificou petróleo mas em quantidade insuficiente para exploração comercial. A Shell e a Petrobras são parceiras da Agência Nacional de Petróleo em vários blocos, incluindo os blocos 4, 10, 11 e 13. A Petrobras havia concluído em fevereiro de 2024 a aquisição de participações nos três blocos exploratórios, marcando o seu retorno ao continente africano após anos de ausência.
A Agência Nacional de Petróleo de São Tomé e Príncipe mantém uma participação estratégica nos projectos, reflectindo uma tendência crescente de entidades nacionais assumirem papéis de destaque em projectos de exploração petrolífera. O Governo são tomense continua a apostar na diversificação da economia através da exploração de recursos naturais, mas os resultados consecutivos sem sucesso comercial levantam questões sobre a viabilidade do sector petrolífero nacional. As empresas multinacionais como BP, Galp, Shell e TotalEnergies mantêm presença no arquipélago, que possui cerca de 1000 km² de área em terra e está localizado a 350 km da costa ocidental africana.
O consórcio apelou à paciência da população santomense e assegurou que continuará a prospeção noutros blocos da zona económica exclusiva do país. Andrew Hepburn reforçou que a mensagem para a população é de paciência, sublinhando que os processos de exploração petrolífera são complexos e demorados. As empresas destacam que em 2022 ficou comprovada a existência de sistema petrolífero na região, mas este furo específico não confirmou essas expectativas. A zona económica exclusiva de São Tomé e Príncipe possui 19 blocos mapeados, cobrindo uma área total de 125 mil quilómetros quadrados.
Mais de três décadas após o anúncio do início do processo de prospeção petrolífera, São Tomé e Príncipe continua sem resultados comerciais viáveis, tanto na zona conjunta com a Nigéria quanto na sua própria zona exclusiva. A persistência dos resultados negativos tem gerado alguma frustração entre a população, que há muito aguarda os benefícios económicos prometidos pela exploração petrolífera. O país continua a depender fortemente da importação de combustíveis fósseis, que representam 90,91% da geração eléctrica nacional. Esta situação reforça a necessidade de diversificar a matriz energética através de investimentos em energias renováveis, onde o país tem demonstrado progressos significativos com projectos solares e outras iniciativas de energia limpa.