A pesquisa, que incidiu sobre o período entre 2014 e 2022, refere que a ajuda externa representou, em média, cerca de 16% do Produto Interno Bruto (PIB) anual, chegando, em determinados anos, a financiar até 97% do investimento público.
São Tomé e Príncipe deve reforçar a mobilização de recursos internos para garantir um desenvolvimento mais sustentável, numa altura em que persistem desafios relacionados com a coordenação da ajuda externa, concluiu o estudo sobre as Tendências da Cooperação para o Desenvolvimento em Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe entre 2014 a 2022.
Segundo o estudo São Tomé e Príncipe tem registado uma redução do fluxo de financiamentos e da ajuda pública ao desenvolvimento.
Realizado no âmbito do projeto “Construir em Parceria – Sociedade Civil em Rede em Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe”, o relatório sobre as “Tendências da Cooperação para o Desenvolvimento”, promovido pela Federação das Organizações Não-Governamentais de São Tomé e Príncipe (FONG-STP), em parceria com a Associação para a Cooperação Entre os Povos (ACEP), a Casa dos Direitos da Guiné-Bissau e a Plataforma das ONG de Cabo Verde, com o apoio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.), teve como objetivo analisar e refletir sobre a evolução da cooperação para o desenvolvimento.
“A tendência foi no sentido de verificar se houve um aumento da cooperação, concretamente dos financiamentos. De uma forma geral, chegámos à conclusão de que tem havido uma redução do fluxo de financiamentos e da ajuda, incluindo da ajuda pública, destinada aos nossos países. […] Esta foi a principal conclusão do estudo e permitiu-nos traçar recomendações com vista à inversão desta tendência, de modo a assegurar, pelo menos, o caminho do desenvolvimento e do crescimento económico dos nossos países”, afirmou o consultor Aires de Menezes.
Segundo o consultor, o estudo evidencia uma crescente valorização das parcerias estratégicas e da participação da sociedade civil em São Tomé e Príncipe.