Patrice Trovoada disse ainda que a sua equipa equacionou integrar a lista de outro partido amigo, renunciando a militância na ADI, mas considerou que esta opção representaria um “risco de enfraquecimento” da ADI, causando confusão no eleitorado e promovendo “muito mais instabilidade política”.
O ex-primeiro-ministro são-tomense Patrice Trovoada apelou à militância da Ação Democrática Independente (ADI) para não votar nas eleições legislativas e autárquicas de 27 desetembro, como protesto por considerar que a sua direção foi afastada do processo por “manobras políticas mafiosas, encobertas por decisões judiciais”.
“A posição do ADI que aqui eu quero deixar bem clara, será de protestar contra esse atentado aos nossos direitos, a esta proibição efetiva de escolher quem nós queremos para nos representar, não indo votar, não saindo de casa para votar nas eleições legislativas e autárquicas do dia 27 de setembro”, disse Patrice Trovoada, num vídeo publicado no Facebook.
Quanto à eleição para a escolha do Governo da Região Autónoma do Príncipe, que decorrerá no mesmo dia, Patrice Trovoada disse que a sua liderança decidiu “conceder a liberdade de voto a todos os militantes”.
“Essa posição foi profundamente refletida e debatida entre nós, e é a posição que melhor poderá defender a identidade, a integridade e a família da ADI […] essas eleições deverão servir de lição para que alguns possam aprender definitivamente que o ADI pertence a todos nós”, declarou.
Durante a comunicação, o político são-tomense que foi quatro vezes primeiro-ministro do arquipélago e o único a vencer duas eleições com maioria absoluta, justificou o apelo à abstenção por considerar que o poder instalado não tem permitido, “sobretudo a uma expressiva franja da população, de escolher livremente os seus legítimos representantes na Assembleia Nacional e nas câmaras, vetando assim a participação da ADI, a verdadeira e legítima ADI nas próximas eleições legislativas”.