Apesar das dificuldades, algumas associações culturais têm desenvolvido iniciativas em escolas para aproximar os jovens das línguas nacionais, como a Associação Cultural Caravana Africana, da qual faz parte Eliane Viegas que, embora não fale fluentemente as línguas nacionais, defende a implementação de políticas públicas destinadas à sua preservação e fortalecimento.
Os defensores das línguas nacionais alertaram para o risco de desaparecimento das línguas criolas em São Tomé e Príncipe, devido a crescente desvalorização do Estado e ao reduzido número de falantes e apelaram por adoção de medidas urgentes de preservação, incluindo a promoção da cultura nacional e a introdução dessas línguas no currículo escolar.
“Se todos os países falam a sua língua, por que razão nós não podemos falar a nossa? A terra é nossa, por isso não podemos esquecer a nossa língua”, acrescentou Sun Gleza, em entrevista à RSTP.
Segundo estas personalidades, que representam figuras da cultura e da identidade nacional, um dos fatores que contribuiu para o abandono das línguas nacionais é a vergonha que muitos nativos sentiam. Uma herança do período colonial.
“Desde o tempo dos brancos não se podia falar a nossa língua, porque diziam que era uma língua de animal”, recordou Gleza.
“Diziam que era língua de cão. Diziam isso porque não conseguiam entender o que falávamos”, afirmou Sun Gleza, acrescentando que o crioulo era frequentemente associado a pessoas sem instrução ou que não sabiam ler nem escrever.