Para operacionalizar esta visão, o relatório propõe um roteiro em três fases. A fase de ignição (2025–2027) deverá concentrar-se em políticas, projectos-piloto e investimentos iniciais. A fase de consolidação (2028–2031) visa escalar soluções bem-sucedidas e fortalecer ecossistemas nacionais e regionais. Finalmente, a fase de escala (2032–2035) deverá permitir a integração plena da IA nos sectores produtivos, maximizando os ganhos de produtividade e impacto económico.
A adoção estratégica e inclusiva da Inteligência Artificial (IA) poderá acrescentar até um bilião de dólares ao Produto Interno Bruto (PIB) de África até 2035, impulsionando setores como a agricultura, saúde, finanças e indústria e criando oportunidades para a maior população jovem do mundo, segundo um relatório do Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB).
Intitulado Africa’s AI Productivity Gain: Pathways to Labour Efficiency, Economic Growth and Inclusive Transformation, o estudo foi desenvolvido no âmbito do G20 Digital Transformation Working Group e elaborado pela consultora Bazara Tech.
Segundo o jornal Economico Report, o relatório sustenta que a África reúne condições singulares para beneficiar da revolução da IA, incluindo crescimento da capacidade digital, demografia favorável e reformas sectoriais em curso, posicionando o continente como uma das regiões mais promissoras para o crescimento impulsionado por tecnologias emergentes.
Ao contrário de uma difusão homogénea dos benefícios, o AfDB alerta que o “dividendo da IA” será altamente concentrado em sectores com maior peso económico e maior prontidão tecnológica. A análise identifica cinco sectores prioritários — agricultura (20%), comércio grossista e retalhista (14%), indústria transformadora e Indústria 4.0 (9%), finanças e inclusão financeira (8%) e saúde e ciências da vida (7%) — que, em conjunto, poderão captar 58% dos ganhos totais, cerca de 580 mil milhões de dólares até 2035.
Segundo o relatório, estes sectores combinam escala económica, capacidade de adopção de soluções baseadas em IA e elevado potencial de impacto inclusivo, nomeadamente na criação de emprego, melhoria da produtividade laboral e expansão do acesso a serviços essenciais.