Recorde-se que, no ano passado, após o reforço da proibição da venda nos passeios, os feirantes manifestaram-se para exigir autorização para comercializar na capital durante a quadra festiva do primeiro de junho. Ainda assim, as autoridades mantiveram as restrições. O cenário contrasta com o atual período eleitoral, em que a venda nos passeios voltou a intensificar-se, perante uma aparente redução da fiscalização policial.
Nas últimas semanas as vendas nos passeios da capital do país aumentaram significativamente, limitando e condicionando a circulação de peões, numa situação associada à suspensão da habitual “repressão e perseguição policial”, que tornou-se evidente durante a campanha eleitoral, segundo os cidadãos, para garantir o voto dos feirantes.
Desde 2024, as autoridades reforçaram a proibição da venda ambulante nos passeios da capital. As ações de fiscalização incluíam advertências e, muitas vezes, perseguições aos vendedores, bem como a apreensão de mercadorias.
Contudo, nas últimas semanas, voltou a ser visível a venda de produtos alimentares e artigos diversos, ocupando quase na totalidade os passeios da cidade de São Tomé. A população aponta o período eleitoral como uma das razões para a atual ausência de fiscalização policial.
“A história da caça ao voto também entra em coisas destas. Cada um quer ganhar o seu pão e, nisto, fecham-se os olhos e deixam andar. O nosso maior problema é esse: deixar andar”, afirmou o popular Domingos Cravid, acrescentando que os peões enfrentam diariamente inúmeros constrangimentos devido à ocupação dos passeios.
“Nesta época é por causa da campanha. No início da campanha a polícia estava a agir, depois deixou de agir e, entretanto, isto aumentou. Mas quando a campanha terminar, isso vai acabar”, considerou a vendedora Maida Viegas.