A Procuradoria-Geral da República (PGR) cabo-verdiana anunciou na terça-feira que o Ministério Público deduziu acusação contra o primeiro-ministro por 26 crimes alegadamente praticados quando presidia à Câmara da Praia.
O primeiro-ministro cabo-verdiano, Francisco Carvalho, classificou hoje como “tentativa de golpe de Estado” a acusação do Ministério Público, divulgada na terça-feira, por 26 crimes alegadamente praticados quando presidia à Câmara da Praia.
“O que estamos a ver é uma tentativa de golpe de Estado disfarçado de oposição. Mas, enquanto alguns procuram criar crises, este Governo continuará a fazer aquilo para que foi eleito, que é governar”, disse hoje o líder do Governo, em conferência de imprensa, citado pela Lusa.
Questionado sobre quem responsabilizava, Francisco Carvalho disse haver “uma pergunta importante” a colocar: “onde é que essa acusação foi redigida? Em que escritório de consultoria? Respondendo a essa questão estaremos a dar um grande contributo para o fim à hipocrisia e ao cinismo que têm marcado a governação de Cabo Verde nos últimos 10 anos”.
Numa declaração de abertura, o primeiro-ministro situou o contexto: “antes das eleições, muitos ouviram deste grupo radical que era preciso parar Francisco Carvalho. O povo respondeu a este ‘custe o que custar’ de forma clara, nas urnas. Agora, alguns parecem querer continuar essa mesma estratégia por outras vias. Quero ser igualmente claro: não o conseguirão”.
O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), a que Francisco Carvalho preside, venceu as eleições de 17 de maio com maioria absoluta no parlamento, ao cabo de dois mandatos do Movimento para a Democracia (MpD) entre 2016 e 2026.