Passamos a dispor de dados concretos sobre quanto os visitantes gastam, como a economia responde a essa procura e quanto valor acrescentado e emprego o turismo efetivamente gera, destacou Emílio Lima. A iniciativa de capacitação surge numa altura em que o país registou crescimento significativo no número de visitantes. Segundo dados revelados da Direção do Turismo e Hotelaria de São Tomé e Príncipe, o país registou 35.817 visitantes em 2023, com portugueses a liderar com 46% dos visitantes, seguido de Alemanha com 2.408 (7%), Estados Unidos da América com 2.328 (7%), França com 1.896 (5%), Angola com 1.298 (4%). O recorde anterior era de 2019 que atingiu 35.000 visitantes, mas o número baixou em 2020 até 10 mil turistas devido aos efeitos da pandemia.
Trata se de um passo decisivo para dotar São Tomé e Príncipe de um sistema estatístico turístico robusto, capaz de apoiar o planeamento estratégico, atrair investimentos e acompanhar o país na valorização sustentável do seu património, afirmou Laura Ngonegni, especialista em estatística da Comissão Económica das Nações Unidas para a África Central. Vemos que o turismo está na agenda de prioridades do país e, para planificar e dar o devido valor a este sector e atrair investimentos, precisamos de dados estatísticos. É esse exercício que as Contas Satélite têm realizado ao longo dos últimos dois anos, destacou Osmar Ferro, economista do Escritório do Coordenador Residente da ONU em São Tomé e Príncipe. A formação de quatro dias é conduzida por especialistas da Comissão Económica das Nações Unidas para a África Central, em estreita coordenação com o Escritório do Coordenador Residente da ONU no arquipélago.
A medição do impacto económico do turismo torna se fundamental numa altura em que o sector enfrenta desafios estruturais. As principais fragilidades identificadas incluem a reduzida oferta de ligações áreas diretas a destinos estratégicos e preço elevado das passagens aéreas, elevada dependência turística do mercado português, infraestrutura turística ainda pouco desenvolvida e reduzida oferta de recursos humanos qualificados em turismo. O Governo de São Tomé e Príncipe quer que o país atinja a marca de 50 mil turistas até 2025, o que pode equivaler a duplicar o impacto do turismo no PIB do país. A abertura da primeira Escola Profissional de Hotelaria e Turismo no país representa um marco importante neste contexto.
As perspectivas para o desenvolvimento sustentável do turismo em São Tomé e Príncipe são promissoras, considerando o potencial do arquipélago. São Tomé e Príncipe centra se no turismo ecológico e de lazer, beneficiando da riqueza em biodiversidade e ecossistemas únicos, incluindo praias, florestas tropicais, montanhas e fauna e flora exóticas, preservação dos recursos naturais e da biodiversidade. O sector do turismo em São Tomé e Príncipe tem um grande potencial e é de esperar que traga benefícios consideráveis e numerosas oportunidades de investimento para o país e a sua população. A capacitação técnica dos quadros nacionais constitui um investimento estratégico para maximizar estes benefícios e assegurar um crescimento turístico sustentável que beneficie toda a população santomense.