Economia

São Tomé e Príncipe investe 16 milhões em finanças verdes para transformar cacau e pescas até 2030

O governo são tomense, em parceria com o sector privado e instituições internacionais, desenhou e implementou um plano ambicioso de finanças verdes com o objectivo de desvincular o crescimento económico da degradação ambiental. Em 2026, o cacau de São Tomé não é apenas um ingrediente, mas uma marca de prestígio usada pelos melhores chocolatiers do mundo, garantindo um preço justo e estável para quem trabalha a terra. Esta iniciativa criou um mecanismo de certificação de grupo, subsidiado por fundos de desenvolvimento, permitindo que cooperativas inteiras obtenham os selos de "Orgânico" e "Comércio Justo".

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Redação Leve Leve
📅 29 de Março de 2026 ⏱ 4 min de leitura

A transição energética, a economia azul, a agricultura regenerativa e a governança social estão a criar um futuro próspero e resiliente no arquipélago. O cacau, o café, a pimenta e a baunilha são produtos de excelência no solo vulcânico de São Tomé, com as finanças verdes a visarem garantir que a agricultura continua a ser um pilar económico sem destruir a floresta primária. A agricultura tradicional de São Tomé é feita em sistema agroflorestal, com cacau plantado à sombra de grandes árvores. Para aumentar a resiliência, fundos de impacto social estão a investir fortemente na agricultura familiar voltada para o consumo interno, com foco na produção de hortícolas, frutas e tubérculos para abastecer mercados locais, hotéis e cantinas escolares.

O Ministério da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural tem visto melhorada a sua capacidade de planeamento e intervenção através de apoio internacional. A iniciativa de industrialização leve e sustentável visa mudar o paradigma da exportação de matéria prima bruta através de programas de microcrédito e capacitação técnica, surgindo pequenas fábricas de chocolate, torrefação de café, produção de óleo de coco e secagem de frutas tropicais. O valor acrescentado fica no arquipélago, criando empregos qualificados e produtos finais “Made in São Tomé” prontos para a exportação ou venda aos turistas. O sistema agroflorestal do cacau de São Tomé e Príncipe foi oficialmente reconhecido pela FAO como património agrícola da humanidade.

As mulheres são pilares fundamentais na gestão doméstica e económica em São Tomé, sendo por isso criado um fundo de investimento dedicado exclusivamente a projectos liderados por mulheres. Este fundo oferece taxas de juro bonificadas e acompanhamento técnico para mulheres que querem abrir negócios de ecoturismo, artesanato sustentável ou agricultura biológica. Com uma Zona Económica Exclusiva de 160.000 km², São Tomé e Príncipe tem imenso potencial de pesca diversificada, embora o sector das pescas passe por dificuldades relacionadas com infra estruturas inadequadas para produção, processamento e conservação de produtos. O sector da pesca emprega cerca de 4.100 pescadores e 2.800 vendedoras de peixes, sendo que pelo menos 37 comunidades costeiras dependem desta actividade.

O cacau domina a produção e representa 90% das exportações agrícolas, sendo que no início do século XX São Tomé e Príncipe era o maior produtor de cacau da África subsaariana com mais de 35.000 toneladas. Graças ao apoio de organizações internacionais como o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, a indústria do cacau tem vindo a mostrar sinais de recuperação, desviando o foco do aumento da produção para o desenvolvimento da agricultura biológica e melhoria da qualidade. Em 2020, as exportações do óleo de palma ultrapassaram pela primeira vez as do cacau, com São Tomé a exportar 4.882 toneladas de óleo de palma contra 2.431 toneladas de cacau. Desde 2019, há uma diminuição dos peixes mais consumidos, caminhando o país para uma situação de rotura do stock de peixe.

A introdução de técnicas de permacultura e irrigação eficiente aumentou a produtividade, com o lema “comer o que a terra dá” a tornar se nacional, melhorando a saúde pública e reduzindo a pegada ecológica do transporte de alimentos importados. A partir de 2024, São Tomé e Príncipe começou a produção de produtos agrícolas 100% biológicos, anunciada pelo ministro da Agricultura, Abel Bom Jesus, como estratégia para criar autossuficiência alimentar. Há dois anos que um grupo empresarial internacional vem desenvolvendo esforços para a criação de um projecto económico de zona franca em São Tomé e Príncipe. A crescente demanda global por produtos orgânicos e sustentáveis posiciona São Tomé e Príncipe favoravelmente no mercado internacional.

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