A iniciativa, apoiada por uma organização não governamental internacional em parceria com o Ministério da Educação de São Tomé e Príncipe, responde a uma necessidade concreta e urgente: a crise energética está a perturbar gravemente o calendário e a qualidade do ensino em todo o país, com aulas a serem interrompidas, encurtadas ou mesmo canceladas por falta de condições básicas de funcionamento das escolas.
Professores e directores das três escolas participantes no projecto piloto descrevem o impacto positivo imediato da instalação dos painéis solares, que permitiu manter as aulas em condições normais durante os períodos de corte de luz que afectam os bairros onde as escolas se situam. Estudantes relatam que conseguem finalmente cumprir os programas curriculares sem as constantes interrupções a que se habituaram.
O projecto tem o objectivo de expandir-se a pelo menos 20 escolas ao longo do corrente ano letivo, caso os resultados do piloto confirmem a eficácia e a sustentabilidade da solução. O custo de instalação por escola foi considerado acessível pelos promotores, especialmente quando comparado com o impacto educativo e social da crise energética sobre as crianças e jovens santomenses.
Especialistas em energia renovável e responsáveis do sector educativo sublinham que a iniciativa demonstra de forma concreta que São Tomé e Príncipe tem condições naturais excepcionais para o desenvolvimento da energia solar, com uma irradiação solar das mais elevadas de África. A crise energética actual, embora dramática no imediato, pode paradoxalmente acelerar a transição para fontes de energia limpas e localmente disponíveis.