As palavras do Presidente da República surgem num contexto de crescente agitação social relacionada com a prolongada crise de fornecimento de energia eléctrica que afecta o arquipélago há mais de sete meses consecutivos. Nos últimos dias, vários protestos espontâneos ocorreram em diferentes zonas da cidade de São Tomé, alguns dos quais terminaram com confrontos pontuais e registos de danos em infraestruturas públicas.
Carlos Vila Nova apelou ao diálogo entre o Governo e os cidadãos, sublinhando que as preocupações expressas pela população são legítimas e merecem uma resposta urgente e concreta por parte das autoridades. O Presidente pediu igualmente às forças de segurança que actuem com proporcionalidade e contenção no tratamento das situações de protesto social, evitando escaladas desnecessárias.
A questão energética tornou-se o principal tema da agenda política santomense, com o Governo a enfrentar críticas crescentes da oposição, da sociedade civil e dos próprios cidadãos pela ausência de soluções estruturais e duradouras para o deficit de produção e distribuição de electricidade. As projecções mais recentes do Ministério da Energia não apontam para uma resolução da crise a curto prazo.
Organizações da sociedade civil manifestaram apoio ao direito de protesto dos cidadãos e pediram ao Governo que apresente com urgência um plano claro, calendarizado e transparente para a resolução da crise energética, considerada por muitos como a mais grave dos últimos vinte anos no país.