Em São Tomé e Príncipe, os maus-tratos aos idosos têm ganho grande repercussão, devido ao estigma de os denominar “feiticeiros”. No livro, a autora aborda diversos assuntos, destacando a pobreza como uma das causas que contribuem para os maus-tratos e para o elevado estigma existente no país.
A assistente social Paula Leal de Deus lançou o livro “A Violência sobre os Idosos – Os Maus-Tratos aos Idosos na Ilha de São Tomé e Príncipe”, uma obra resultante de uma pesquisa sobre o abandono e o estigma social de que os idosos são vítimas no país, e apelou a uma maior atenção e à criação de políticas públicas direcionadas para a velhice.
O livro, que surgiu a partir da tese de mestrado da autora, nasceu após a observação da situação dos idosos no país, pois, de acordo com a autora, trata-se de um assunto pouco abordado em São Tomé e Príncipe.
“Depois da minha viagem a São Tomé, deparei-me com algumas situações que têm acontecido aqui. Vi uma publicação do bispo emérito Dom Manuel António, que pedia ‘socorro’: ‘ajudem-me com os idosos’”, sublinhou Paula.
A apresentação decorreu no Centro Cultural Português, num ambiente que possibilitou a análise e a reflexão sobre o tema em destaque no livro, bem como momentos musicais.
“Muitas vezes nós maltratamos os idosos e não sabemos como. Acredito que todos nós já maltratámos idosos sem intenção. Os maus-tratos vêm da negligência e do abandono. Isto fez com que eu abordasse este tema, tendo em conta este flagelo que está a acontecer”, sublinhou, acrescentando que é necessário educar as crianças a amar e a cuidar dos idosos, bem como promover, por parte das instituições, intercâmbios entre creches e centros de apoio domiciliário.